sexta-feira, 26 de junho de 2026

 


da série "para que serve?" (& ainda mais em tempos de obscuridade e fascismos)"

de rimbaud e seus koans 
(um dos melhores exemplos. o que vocês descobrem quando leem poesia? qual valor que isso tem?)

ah "orietur", sol invictus (e sua inversão) e tudo o mais que essa palavra invoca.
pandoras-palavras.

rejeitando a ideia cristã e capitalista (nauseante, pequena, pequena e burguesa) de que a felicidade ou a salvação estão sempre "no próximo dia" ou "na outra vida". poema que começa e termina com yin e yang. que a eternidade e a transformação total das possibilidades humanas seja aqui e agora. neste exato instante(-infinito) fenomenológico de transe verbal. passado, presente e futuro são, ora vejam, um mesmo bloco (algo que a física veio a formular, um século depois).



L’Eternité

Elle est retrouvée.
Quoi ? – L’Eternité.
C’est la mer allée
Avec le soleil.

Ame sentinelle,
Murmurons l’aveu
De la nuit si nulle
Et du jour en feu.

Des humains suffrages,
Des communs élans
Là tu te dégages
Et voles selon.

Puisque de vous seules,
Braises de satin,
Le Devoir s’exhale
Sans qu’on dise : enfin.

Là pas d’espérance,
Nul orietur.
Science avec patience,
Le supplice est sûr.

Elle est retrouvée.
Quoi ? – L’Eternité.
C’est la mer allée
Avec le soleil.



A Eternidade

 
De novo me invade.
Quem? — A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.

Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.

Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no mar te espraias.

De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.

Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.

De novo me invade.
Quem? — A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.

(trad.: augusto de campos)