身は閑にして
世事を忘る
米十日分
薪一把
迷悟の事を論ぜず
夜雨を聴いて
長く両脚を伸ぶ
(ryokan taigu)
mi wa kan ni shite
seiji o wasuru
kome junichi-bun
maki ippaa
meigo no koto o ronzezu
ya-u o kiite
nagara ryookyaku o nobu
Too lazy to be ambitious,
I let the world take care of itself.
Ten days’ worth of rice in my bag,
a bundle of twigs by the fireplace.
Why chatter about delusion and enlightenment?
Listening to the night rain on my roof,
I sit comfortably, with both legs stretched out.
(trad. atribuída a john stevens)
corpo em quietude
esquecidos os assuntos do mundo
arroz para dez dias
um pedaço de lenha
não discuto sobre ilusão e satori
ouço a chuva noturna
sentado com as pernas esticadas
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ryokan ("taigu": "o grande louco") é um do mais renomados mestres do zen japonês. formalmente ordenado pela soto, não dava a mínima para as instituições e vivia como um ermitão vagabundo, embora tenha tido um rigoroso treinamento. foi aluno de kokusen, de quem recebeu a transmissão.
entre grandes mestres do zen, tal atitude de total afastamento e mesmo desprezo pelas organizações e tudo que não fosse a prática sempre foi notória.
pode haver alguns bons professores entre os almofadinhas, mas qualquer um que se esforce muito em aparecer por aí como grande monge, vendendo cursos sobre "budismo" e meditação, lucrando um bocado, e se enchendo de seguidores pela rede, simplesmente não deveria merecer qualquer atenção.
"MONGES" não deveriam viver afastados? mas estamos num tempo em que não se consegue compreender o óbvio do óbvio. no brasil tudo é ainda muito novo quando se trata do dharma. e incautos nunca faltam quando se começa a falar sobre "espiritualidade" por aí. qualquer um que apareça vestido com o ôkesa, de cabeça raspada, falando mole, será confundido com um verdadeiro praticante. sempre foi assim com as pessoas, e possivelmente sempre será.
ryokan não se importava. morreu em seis de janeiro de 1831, sem deixar linhagem ou ditos e afirmações sobre grandiosidade. era conhecido pela gentileza, compaixão e dedicação ao momento presente. se tornou amigo próximo, no fim da vida, de tenshin-ni (masu okumura), que compilou a obra "hachisu no tsuyu" ("orvalho no lótus"), conservando os poemas e caligrafias de ryokan.
a imagem acima, na apresentação deste blog, é uma pintura virtual em homenagem a ele, "busto de ryokan".
